sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

PUNK


Uma pessoa inteligente, que sempre viveu numa família rica não é capaz de sentir realmente uma situação que não seja a sua realidade. Nunca saberá realmente o que é sentir o desespero de estar num ambiente beirando o crime, a fome, o desemprego, a falta de perspectiva, uma fila de hospital, ou não ter mais nada a não ser o básico para permanecer vivo.


Sob este prisma pode-se esquecer em algum lugar imaginário e fora de alcance a educação, para preferir a sobrevivência. Assim, as crianças perdem rapidamente a inocência e o que predomina pode ser a revolta ou a alienação. A alienação povoa a maioria.

Uma idéia básica do que é a revolta com a pobreza não basta, o mínimo de compreensão é obtido da própria experiência. Como enfrentar esta situação e o que podemos aprender dela, tentar manter a solidariedade com as outras pessoas é o que o bom senso manda. Isto pode marcar profundamente o caráter de uma pessoa, sua visão do mundo.

Queiramos ou não, punk é um rótulo, que pode ser aceito com orgulho pelo próprio ou dito com o maior escárnio, arrogância e menosprezo por alguns que não vêem realmente a realidade que levou a este tipo de atitude.

Este é normalmente o perfil do punk, um revoltado. Sim, punk é uma atitude de revolta, um perfil, que somente pode ser entendido e muito mais do que isso, sentido pelo cara suburbano que viveu com a miséria e a desesperança bem perto! É a agressão, como forma de autodefesa contra a malícia das pessoas.

Acima de tudo, o punk se formou assim, e foi rotulado por se identificar ou ter algo em comum com o pequeno grupo, mais uma das minorias discriminadas!

UM perfil, não O perfil: A contestação do que é imposto e tido como normal e legal! Nunca calar, sempre retrucar perante a desigualdade! Abaixo o racismo, fascismo, nazismo! Em idéias, em atos, em música, no cabelo, brincos, no visual! Roupas diferentes e muitas vezes velhas. O agredir a estética imposta!

A música punk, é uma de suas maiores expressões. Sobre a arte, li uma vez:

"Não existe, de resto, invenção artística importante sem rebeldia, sem ruptura com normas acadêmicas ou simplesmente vigentes, sem indisciplina teórica e sem a irreverência necessária ao sepultamento dos mestres. Contraditória figura, o mestre ensina, ilumina e mata. Depois de um certo caminho percorrido, o condutor deve desaparecer para que o conduzido reinvente o mundo. O presente e o futuro da arte alimentam-se da violência em relação ao passado. A cada dia, os criadores precisam assimilar e destruir o já feito. Antropofagia permanente."

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